Quando criança, somos apresentados a clássica pergunta: “O que você vai ser quando crescer?”. No entanto, raramente somos questionados sobre o que pretendemos ser quando o tempo passar e a maturidade chegar. No episóidio 18 do MIW CAST, recebemos Darley de Oliveira, criador do perfil “O que você vai ser quando envelhecer?”, para uma conversa sobre escolhas, gerontologia e a importância do autocuidado.
Darley, que buscou na gerontologia o conhecimento necessário para cuidar de sua mãe, hoje utiliza sua experiência para provocar pessoas de todas as idades a repensarem o processo de envelhecer.
O envelhecimento começa antes do que você imagina
O envelhecimento não é algo que acontece apenas após os 60 anos. Segundo Darley, a ciência aponta que o declínio metabólico começa muito antes.
“O processo de envelhecer se inicia em torno dos 30 anos. (…) Dos 20 aos 30 anos é o apogeu do nosso organismo, e é justamente nesse período que a gente mais estraga o nosso organismo.”
Nessa fase, o metabolismo trabalha a “110%”, o que mascara os danos causados por noites mal dormidas, má alimentação e falta de exercícios. O alerta é claro: o que fazemos aos 20 define como estaremos aos 50.
A “Poupança” para o futuro: Autocuidado como investimento
Para alcançar um envelhecimento saudável e ativo, Darley utiliza a analogia da poupança. Assim como guardamos dinheiro para a aposentadoria financeira, precisamos guardar “saúde” para os nossos sistemas biológicos.
- Sistema Cognitivo: Estimulado pela leitura e aprendizado de coisas novas.
- Sistema Muscular: Fortalecido por exercícios de resistência para evitar a sarcopenia (perda de massa muscular).
- Sistema Digestivo: Preservado pela qualidade da alimentação, não pela quantidade.
“O envelhecer, antes de mais nada, é um processo de autocuidado onde você tem que estar atento em fazer poupanças. (…) Isso me dá condições de conviver com meus netos, caminhar e passear por mais tempo.”
Autonomia vs. Independência: O medo de envelhecer
Ao ser questionado sobre os maiores medos relatados por seus seguidores, Darley destacou três pilares que definem a dignidade na terceira idade:
- Autonomia: É o desejo e o planejamento (ex: “quero fazer uma horta”).
- Independência: É a capacidade de realizar a ação.
- Funcionalidade: É o corpo físico colaborar para que a ação aconteça.
A perda da funcionalidade é o que mais assusta, pois impacta diretamente na liberdade individual. “Se você não quer ficar dependente de alguém, procure pensar no autocuidado e na poupança que você vai começar a fazer a partir de hoje”, reforça Darley.
Você quer ser uma “mala de rodinhas” ou “mala sem alça”?
Com muito bom humor, Darley trouxe uma reflexão sobre como seremos vistos por nossos familiares no futuro. Ele explica que, em algum momento, todos seremos uma “mala” (alguém que exige cuidados), mas a forma como nos cuidamos hoje define o tipo de mala que seremos.
“Seja uma mala de rodinhas. A mala sem alça é aquela que ninguém quer carregar, que já depende de terceiro para tudo. A mala de rodinhas qualquer neto seu vai querer levar para passear… é mais leve, é divertido, não pesa.”
O papel da família: Apoio sem anulação
O episódio também abordou como os filhos e netos podem ajudar (ou atrapalhar) esse processo. O isolamento é destacado como um grande vilão. Além disso, a família deve tomar cuidado para não anular a autonomia do idoso em nome de uma proteção excessiva que “tira o brilho nos olhos”.
O exemplo citado por Darley sobre uma senhora de 80 anos, que perdeu a alegria de viver após ser impedida de dirigir seu Fusca para ir à igreja e à feira, ilustra bem esse ponto: o respeito pela identidade do idoso é fundamental para sua saúde mental.
Enfim, envelhecer é o ciclo mais longo da vida humana, pois pode durar 50 anos ou mais. O segredo para que esses anos sejam vibrantes e plenos não está em uma fórmula mágica, mas nas escolhas diárias de autocuidado. Como bem resume Darley de Oliveira: você é o autor da sua própria história e o principal responsável pelo seu processo de envelhecimento saudável e ativo.