Muitos acreditam que a arte é um privilégio de quem nasceu com um “dom” especial. No entanto, no episódio 21 do MIW CAST, o artista plástico e professor André Braga desconstrói esse mito. Com uma trajetória que une publicidade, design e artes visuais, André defende que a arte é, acima de tudo, um caminho de cura e equilíbrio emocional.
Se você sente que a rotina está pesada ou busca uma forma de se reconectar consigo mesmo, os insights compartilhados por André Braga mostram que o pincel pode ser a ferramenta que faltava na sua jornada de bem-estar.
Não é Dom, é Amor e Constância
Uma das maiores barreiras para quem deseja começar a pintar ou desenhar é a ideia de que é preciso ter nascido com uma habilidade extraordinária. André usa uma metáfora visual em sua própria marca para explicar sua visão:
“Eu digo que não é dom, que é amor. […] Não é dom, é constância. Se você ama e faz com amor todo dia, toda hora, sempre que você puder, uma hora você chega a ser um bom pintor, um bom artista.”
Para ele, a arte não é algo que se sabe por instinto, mas algo que se estuda e se apaixona continuamente. A técnica vem com o tempo, mas o que sustenta o artista é a entrega ao processo.
O Poder Curativo da Arte: Equilibrando a Alma
Em tempos de ansiedade e imediatismo, a arte surge como um refúgio. André destaca que o ato de criar funciona como um mecanismo de defesa contra dores emocionais e doenças modernas como a depressão.
“[…] você equilibra sua alma… então vai contra ansiedade, depressão, ajuda muito nessas situações. Então eu tenho em mim que a arte tem um alto poder curativo.
O artista reforça que, embora a terapia tradicional seja fundamental, a arte oferece um canal único para “externar as dores” e transformá-las em algo novo e belo.
Os impactos da Inteligência Artificial no universo da arte
Com o avanço de tecnologias como a IA generativa, muitos profissionais se preocupam com o futuro das artes. No entanto, para André, a tecnologia pode mudar o mercado, mas jamais substituirá a essência humana e o toque do artista.
“A IA não vai substituir o artista. Minha pincelada é só eu que faço, é a minha digital. Cada artista tem a sua. A pessoa que ama a arte, admira e quer a obra de um artista, vai continuar encomendando desse artista.”
Ele traça um paralelo com a invenção da fotografia: no passado, achavam que a câmera acabaria com os pintores, mas isso apenas forçou a arte a evoluir para movimentos como o Impressionismo, onde a “digital do pincel” passou a ser o grande diferencial.
A Natureza como Inspiração: O Mantra dos Pássaros
André é amplamente conhecido por suas pinturas de pássaros, uma paixão que começou em um momento de transição de carreira e se tornou um símbolo de fé e provisão. Ao pintar espécies nativas da Serra da Mantiqueira e do Vale do Paraíba, ele encontrou uma conexão profunda com a biodiversidade brasileira.
“Como eu sou cristão, tem aquela passagem da Bíblia que diz: ‘Olhai os pássaros do céu, eles não tecem e não fiam, mas nunca lhe falta o alimento’. Eu tive aquilo como um mantra. Nossa, os pássaros vão salvar minha vida.”
Hoje, ele utiliza sites como o Wikiaves para pesquisar e catalogar as espécies que retrata, unindo arte, ciência e observação local.
Um Convite à Expressão
Independentemente da sua profissão — seja você engenheiro, médico ou publicitário — André Braga deixa uma reflexão vital sobre a importância de não deixar a “chama artística” apagar.
“Não deixe de fazer arte, não deixe de se expressar. Reserve uma parte do seu tempo na semana para estudar arte, música, dança, seja o que for. Expresse-se. Esse é o caminho da cura.”
Enfim, a arte não precisa ter o objetivo final de ser “bonita” ou “feita corretamente”. Como André reforça: “dentro do universo da arte começa que não existe certo e errado. E não existe bonito e feito. A beleza é subjetiva. E o certo e errado também é diferente a maneira que a gente lida com ele.”
O valor está na experiência, na descoberta das formas que compõem o mundo e na memória afetiva que uma pintura na parede de casa ou um desenho no caderno pode criar.