O mercado de motocicletas no Brasil vai muito além da funcionalidade do dia a dia. Para muitos, a moto é um estilo de vida, uma extensão da personalidade e a realização de um sonho. No entanto, encontrar profissionais que dominem a técnica da pintura custom e da restauração estética com um olhar artesanal está se tornando um desafio cada vez maior.
No episódio 14 do MIW CAST, Phillip Cândia, fundador da Skull Arts Customs, compartilhou sua transição da carreira militar para o empreendedorismo no nicho de oficina de pintura custom. Um bate-papo descontraído que vai desde a importância da disciplina militar no negócio até o futuro das oficinas de personalização.
Da Disciplina Militar ao Empreendedorismo
Uma das grandes surpresas da trajetória de Phillip foi como o exército moldou sua mentalidade de empreendedor. Diferente do que muitos pensam, a liberdade de ser “seu próprio chefe” exige ainda mais rigor do que a vida em um quartel.
“A disciplina que a gente aprende lá conta bastante… No empreendedorismo você é 24 horas pensando. Eu brinco que a gente tem dois modos: trabalhando ou dormindo.”
Essa mentalidade é o que garante o cumprimento de prazos e a qualidade do atendimento, diferenciais raros em um mercado muitas vezes marcado pela informalidade.
O Mercado de Motos Antigas e a Pintura Custom
Phillip destaca o crescimento do mercado de motos antigas (décadas de 80 e 90). O que antes era considerado sucata, hoje possui valores que superam modelos zero quilômetro. O grande desafio, porém, é a restauração fiel aos grafismos originais.
“O valor dessas motos hoje é absurdo. A gente está focando justamente nessa personalização de motos antigas porque os adesivos de reposição têm qualidade muito baixa. Então, todo o grafismo da moto a gente faz todo pintado.”
Esse tipo de serviço exige um nível de detalhamento que apenas a pintura customizada pode oferecer, substituindo adesivos por arte definitiva.
Pintura Hidrográfica e Tecnologia 3D
Phillip comenta sobre as inovações tecnológicas que estão mudando o jogo. A pintura hidrográfica (WTP – Water Transfer Printing) permite aplicar texturas complexas, como fibra de carbono e camuflagens, em peças de formatos irregulares, garantindo durabilidade e um visual exclusivo.
Além disso, o futuro aponta para a integração com a impressão 3D, especialmente para peças de reposição que já saíram de linha.
“A impressora 3D está vindo para transformar a personalização… Ela já faz peças de acordo com o que você precisa, encaixando certinho.”
Mais do que Metal: Cuidando do Sonho do Cliente
Um ponto recorrente na fala de Phillip é que o trabalho de um pintor customizador não é apenas aplicar tinta, mas preservar a história e o esforço do cliente. Seja em uma moto de uso diário, em uma moto de corrida ou em um acessório como um capacete, a segurança e a confiança são os pilares do negócio.
“A gente está lidando com o sonho do cliente. Você não sabe quanto tempo a pessoa batalhou para conquistar aquele bem, então você tem que cuidar bem.”
Um Ramo com Alta Demanda e Pouca Mão de Obra
Para quem pensa em entrar no ramo da estética de motocicletas, Phillip deixa uma mensagem de otimismo, mas com uma ressalva: a especialização é obrigatória.
“É uma das profissões que está se encaminhando para acabar, porque é muito artesanal… Mas tem mercado, tem demanda. Quem se iniciar nessa área e procurar se especializar vai se dar bem.”
O mercado de personalização de motos em cidades como Jacareí e em todo o Vale do Paraíba continua aquecido, atraindo clientes até mesmo de outros estados e países que buscam a exclusividade que só o trabalho manual pode proporcionar.